Pólen Escola Waldorf

20.11.06

Resultados da Pesquisa: Sete Mitos

por editor

A palestra “Sete Mitos de Inserção do ex-Aluno Waldorf” foi apresentada pelo casal de pais da Escola Rudolf Steiner, Wanda e Juan Pablo, realizadores da pesquisa. O casal conta que ao conhecer a Pedagogia Waldorf, há doze anos, enquanto um deles sentiu estar encontrando ali uma formação que prepara o ser humano para o agir no mundo e só poderia dar bons resultados, o outro achava interessante, porém distante da sua realidade, pois tinha várias dúvidas quanto ao futuro de quem tem na formação algo tão diferente. Ao colocarem a filha na escola, em 2001, as dúvidas haviam cessado para aquele que as tinha. Surpreenderam-se, porém, ao constatarem que várias daquelas dúvidas freqüentavam a comunidade escolar. Sentiram, então, a necessidade de “comprovar” se elas tinham correspondência na realidade ou se se tratavam de MITOS no sentido definido pelo dicionário Aurélio: “…imagem simplificada de pessoa ou de acontecimento, não raro ilusória, elaborada ou aceita pelos grupos humanos, e que representa significativo papel em seu comportamento”.

Decidiram que, socióloga de formação, Wanda faria uso de seus conhecimentos para elaborar e executar uma pesquisa que se iniciou no segundo semestre de 2003. A investigação foi realizada junto aos ex-alunos, que são os atores do processo e, por isso, os únicos gabaritados a tornar “reais” as respostas àquelas dúvidas.

Os resultados trouxeram argumentos para suas certezas frente à Pedagogia Waldorf e a vontade de compartilhá-los: “Números não podem expressar a essência do que encontramos nesse caminho e do que realmente é a Pedagogia Waldorf, mas podem trazer uma concretude aos resultados”, dizem os pesquisadores.

Eles lembram que a pesquisa não é um trabalho pedagógico, pois não elabora discussões, comparações ou análises de teorias. É um trabalho com viés sociológico, que investiga os “resultados” da aplicação da Pedagogia em âmbitos onde os “mitos” são mais recorrentes e que se dá na vida pós-Escola (vestibular, faculdade, mercado de trabalho e aspectos de relações sociais desses âmbitos), ou seja, o que os pesquisadores estão denominando “inserção social”! Sobre a Metodologia. 

O campo de investigação escolhido foi a Escola Waldorf Rudolf Steiner, primeiro porque é preciso localizar uma pesquisa no tempo e no espaço, segundo, porque ela tem um universo de ex-alunos suficiente para constituir uma base confiável para uma amostra estatística e, terceiro, por ser a pioneira no Brasil, tendo diversas gerações de alunos egressos, o que nos dá uma visão mais ampla dos aspectos tratados na pesquisa.

Foram entrevistados 108 ex-alunos, formados entre 1975 e 2002. Estas datas foram escolhidas porque 1975 é o ano de formação da primeira turma do colegial. E 2002 porque era preciso estabelecer uma data que tivesse um certo tempo de separação da Escola, para analisar a atuação “no mundo”. Este número representa uma amostra com índice de confiança de 95% para uma margem de erro de 10%.

Nesse período, segundo informações da própria Escola, ela formou um total de 1.345 alunos. - A escolha dos entrevistados foi feita aleatoriamente, tanto por indicação de pessoas fora do âmbito escolar, quanto pelos próprios ex-alunos, ou ainda “sorteada” pelo Grupo de Ex-Alunos da Escola, segundo solicitação dos pesquisadores. - foi feito um questionário, com perguntas abertas (aquelas onde o entrevistado tem maior abertura para responder e não apenas alternativas para escolher), onde procurou-se trabalhar os elementos quantitativos para esta primeira pesquisa, bem como elementos qualitativos, que serão utilizados em recortes posteriores. 

Todas as respostas estão representadas graficamente tanto para os aspectos quantitativos como para os qualitativos. Primeiramente, a pesquisa traz informações quantitativas, traçando um perfil dos entrevistados, com informações sobre idade, sexo e período na escola (séries cursadas). - Para tornar graficamente possível a leitura dos aspectos qualitativos foram sistematizadas as respostas de acordo com o seu conteúdo principal. 

A Pesquisa não compara a Pedagogia Waldorf com outras. Ressalta as características que tornam a Pedagogia Waldorf “diferente” e relaciona sete mitos que esta “diferença” suscita (tanto no Brasil como no exterior). - Estes sete “mitos” são um primeiro recorte da pesquisa, que é muito mais abrangente, pois a Pedagogia Waldorf atinge vários outros âmbitos e para fazer com que seja possível conhecê-los, fez-se necessário retirar alguns “véus”, que são justamente “mitos” e que não se limitam aos sete investigados.

PERFIL DOS EX-ALUNOS

42% do sexo masculino; 

58% feminino;

58% dos entrevistados entraram na escola no Jardim;

21% ingressaram entre o primeiro e o quarto ano;

15% vieram para a Escola entre o quinto e o oitavo ano

e 6% tornaram-se alunos durante o Ensino Médio.

OS MITOS PESQUISADOS E OS RESULTADOS:

Mito número um - O ex-aluno têm muita dificuldade em passar no vestibular?

100% dos que prestaram vestibular passaram e 91% na primeira tentativa

Mito número dois - Só passam em vestibular de faculdades de segunda expressão?

68% entraram em faculdades de primeira expressão

Mito número três- Não tem capacidade para cursar uma faculdade

92% completaram com êxito o ensino superior

Mito número quatro - A Pedagogia Waldorf só forma artistas?

Apenas 12% se formaram em carreiras artísticas

Mito número cinco - A Pedagogia Waldorf não prepara para o mercado de trabalho

99% estão atuando no mercado de trabalho

Mito número seis - A Pedagogia Waldorf não prepara para o mundo da competição profissional.

84% não se sentiram prejudicados

Mito número sete - A Pedagogia Waldorf é de doutrinação religiosa?

100% não percebeu nenhum tipo de doutrinação religiosa

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